sexta-feira, 30 de julho de 2010

Onde estão as conchas de nossas praias?

O termo “molusca” de origem latina foi empregado pela primeira vez pelo zoólogo francês Cuvier em 1798 ao descrever suas observações sobre polvos e lulas. O nome fazia referência à aparência ao corpo mole e macio daqueles animais. Mais tarde com o aprofundamento dos estudos foi que se reconheceu a relação de parentesco entre lulas e polvos com caracóis e bivalves, animais aparentemente bem diferentes.
A beira-mar os caracóis e bivalves eram tão abundantes que após a morte, suas conchas acumuladas, cobriam longos trechos da orla, atapetando parte ou totalmente as areias.
Em muitas praias do nosso litoral não se conseguia ver as areias, caminhava-se quilômetros sobre tapetes multicoloridos de conchas e caramujos que naturalmente ornavam as praias.
Não faz muito tempo também, que os veranistas praiagrandenses podiam escolher algumas entre uma infinidade de conchas e caracóis, pequenas jóias do mar, preciosas lembranças de nossa terra.

Família morando em buraco na Praia Grande.

Caiçara por natureza as corujas-buraqueiras enfrentam com maestria as severas condições de radiação solar umidade e calor das praias. Conhecidas pelo hábito terrícola de cavarem tocas onde se abrigam nas horas mais quentes do dia. Revestindo as tocas com palha e gravetos criam um ambiente fresco e agradável, mantendo sua prole em segurança. Guardam a toca com uma visão invejável, localizando uma presa a distância, considerando tudo que se move e corre como comida. Costumam dar rasantes nas cabeças de quem invade seus limites territoriais, principalmente se estiverem com seus ninhegos.
Creio que seja fácil prever o que acontece com as corujas nos feriados prolongados e férias. Em algumas praias as tocas são protegidas por estacas e uma faixa de transito, além de placas informativas que visam conscientizar leigos e evitar a aproximação de banhistas desavisados que possam perturbar e afugentar esses caiçaras emplumados de olhos amarelos.

Moluscos, poluição e poder.

A púrpura real é um pigmento roxo extraído de glândulas de moluscos e que no passado foi usado exclusivamente como a “cor da família real”. Mencionada em textos que datam de 1600 anos antes do presente, descrevem que o tingimento de vestes era uma das principais atividades de manufatura organizada que mobilizavam fenícios e romanos de Cartagena.
A combinação: cor e a seda se transformaram num comércio de luxo. As togas dos imperadores romanos eram tingidas com a púrpura imperial, a técnica de tingimento usava a extração de pigmento do caramujo Murex sp. O método de obtenção do pigmento consistia em extrair uma grande quantidade de glândulas dos moluscos que eram aferventadas com cinzas. Posteriormente se tingia os tecidos e os estendiam ao Sol finalizando o processo. O resultado era uma cor púrpura única de extrema beleza.
Grandes quantidades desses caramujos eram sacrificadas, suas conchas e seus restos se acumulavam aos montes. A cor púrpura tornou-se símbolo de riqueza e poder para romanos e fenícios. Nero puniu com a morte o uso da púrpura e Cleópatra tinha as velas de sua embarcação tingidas com a púrpura real.
Escavações revelaram casas decoradas com afrescos com uso da púrpura um documento escrito em 1400 AP inclui 70 fórmulas para tingimento de lã, a maioria com uso do roxo de murex. O documento ainda descreve um tintureiro:- “...suas mãos fedem, ele tem cheiro de peixe apodrecido...”

Praia - vegetação pioneira.

Sobreviver em solo arenoso, onde a chuva rapidamente some na areia. Suportar luz, calor intenso, borrifos(spray) das ondas e inundação nas ressacas. Falta de umidade e de nutrientes. Abrasão da areia e soterramento pelos ventos. Barreiras que poucas plantas suportam. Para sobreviver o jeito é ter porte reduzido e rasteiro. Folhas estreitas, finas e coriáceas. Raízes com rápida capacidade de absorção de água e nutrientes. Perdas de folha que acumulem sal, capacidade de rebrote rápido após soterramento. De quebra é refúgio para vida silvestre.

A ocupação das Américas e os moluscos.

Os primeiros grupos colonizadores das Américas usaram a planície costeira como corredor para ocupação de novas terras. A estratégia usada para fazer seus assentamentos era a de encontrar locais onde tivessem assegurados: água doce e disponibilidade de ostras, mariscos e berbigões, recurso exigido para o sustento imediato e diário do grupo, além da segurança e conforto. Enquanto durasse a pesca e o estoque alimentar de moluscos, os grupos se mantinham temporariamente no local, vivendo e complementando sua dieta com os recursos naturais disponíveis no ambiente recém colonizado.
Uma “prática comum” dos colonizadores era o descarte de conchas e restos das refeições diárias em um mesmo lugar, com o tempo, acumulavam-se em montes, morrotes, colinas artificiais de conchas. Um mirante, uma praça de convívio que lhes garantiam segurança e visibilidade na planície costeira.
Alguns indivíduos após a morte eram deitados e arranjados em uma cova aberta no monte de conchas. As colinas de conchas era lugar de descarte de restos alimentares, onde se acendiam fogueiras para cozinhar moluscos, caranguejos, assar peixe e caça. Aparentemente sepulcro de uns poucos escolhidos.
Os mortos recebiam cuidados de um funeral o corpo ajeitado em posição fetal era pintado com ocre, enfeitado com adornos elaborados, colares de dentes ou ossos de animais. Junto ao corpo, machados, colares, enfeites, esculturas de pedras e prováveis pertences do morto marcam indícios de sepultamentos ritualizados.

A maior floresta do mundo pode salvar o planeta.

Conservar a cobertura vegetal do planeta é uma tarefa extremamente árdua. Preservar e demonstrar a importância de algas microscópicas será o nosso desafio. O FITOPLÂNCTON são algas aquáticas responsáveis pelas constantes de oxigênio do planeta e formam a base da cadeia alimentar aquática. Lembra? algas > bichinhos > peixinhos > peixões... Cientistas estão testando a fertiização superficial oceânica com ferro desde 1980 e perceberam que as algas absorvem enormes quantidades de CO2, talvez uma possível saída para o problema do aquecimento global

Ultramaratonistas vôo de Norte a Sul sem escalas.

Os ornitólogos achavam estranho a forma exagerada dos trinta-réis comerem compulsivamente, engordando visivelmente nas proximidades do inverno Ártico. Sabiam até que essas aves eram migratórias, mas a surpresa só se revelou quando os equipamentos eletrônicos de restreamento por satélite, ficaram pequenos e leves o suficiente para serem fixado nas aves, sem interferência de seu vôo. Ai sim foi a grande surpresa, acompanhar pela primeira vêz através dos monitores de seus computadores as aves cumprirem uma jornada única de migração.